Na última terça-feira, um dia após sua posse, Donald Trump passou boa parte do dia confirmando para a imprensa que ele novamente retiraria seu país do Acordo de Paris, a exemplo do que havia feito em 2017, durante o primeiro mandato.
De antemão, ninguém conta mais com a presença da maior economia do mundo na trigésima Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), a ser realizada em novembro próximo na capital paraense.
Nesta mesma semana, confirmou-se que o evento será presidido pelo embaixador André Corrêa do Lago, até então secretário do Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores
Embora, num primeiro momento, ele não tenha se aprofundado nas consequências da ausência norte-americana no encontro de Belém, é senso comum no segmento ambiental que os EUA deveriam estar, isto sim, é à testa de todo esse processo.
Afinal, além de seu enorme potencial poluidor, aquele país sempre representou um alento às nações menos desenvolvidas, que embora poluindo proporcionalmente bem menos, precisam de ajuda financeira para enfrentar o problema de igual para igual.
Como diplomata de carreira que é, do Lago limitou-se a dizer, a princípio, que os Estados Unidos seriam um “ator essencial” na COP30, assim como no Acordo de Paris, tratado global firmado em 2015, onde se definiram metas globais para a redução gradativa das emissões de gases de efeito estufa.
No entanto, o presidente da COP30 ainda considera importante haver bancos e instituições que podem participar da corrida mundial contra o aquecimento global.
Afinal, mesmo com a presença estadunidense nas duas COP interiores não se chegou a uma solução para o US$ 1,3 trilhão pedido pelos países em desenvolvimento para viabilizar medidas minimizando causas e efeitos do aquecimento global.
No lugar dessa cifra, falou-se em US$ 300 bi no evento de Baku, e o presidente da COP30 não esconde a falta que os EUA farão para a mudança desse quadro, embora nas duas reuniões anteriores tenha faltado uma solução, mesmo havendo representantes deles à mesa.
Andrea Corrêa do Lago só não respondeu mesmo, e até levou em visível tom de brincadeira, quando o provocaram durante sua primeira entrevista coletiva, perguntando se ele enviaria, mesmo assim, um convite oficial da COP30 para o novo presidente dos EUA.
