Embora haja cientistas afirmando não se surpreender com a rapidez da subida dos termômetros mundo afora, os fatos de 2023 ter batido o recorde de calor e 2024 estar no mesmo caminho têm dividido opiniões.
A ala que poderia muito bem se chamar “Nós Avisamos”, defende ser óbvia a situação atual, pois a humanidade ainda está longe de diminuir suas emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa.
Parte dos pesquisadores, porém, já está achando acima das expectativas o ponto ao qual chegamos nestes últimos dois anos, o que tornaria mais incertas ainda as previsões a respeito do futuro do planeta.
Até mesmo a queima de combustíveis fósseis, considerada a grande vilã nessa área, tem suscitado questionamentos sobre a força de sua influência preponderante nesse quadro, onde o prolongamento na duração dos fenômenos El Niña e El Niño vem crescendo nas apostas.
Os estudiosos também investigam mudanças nas nuvens, assim como da própria capacidade da Terra de armazenar carbono, que poderia ter sido afetada pela redução nas emissões de enxofre dos combustíveis de navegação.
Segundo esses especialistas, tal mudança pode ter diminuído a quantidade de nuvens reflexivas, que funcionam como aqueles revestimentos brilhantes, colocados sobre os telhados, para evitar o calor.
Igualmente suspeitas são alterações nos chamados sumidouros de carbono, principalmente florestas e oceanos, que estariam perdendo eficiência por razões desconhecidas.
O que se sabe sobre o aquecimento global
Certeza mesmo neste campo só mesmo os estragos provocados por tanto calor, que apenas na Europa matou perto de 50 mil pessoas no ano passado.
E não foi sem motivo, tendo em vista que a temperatura global média de 1,45 °C (com uma margem de incerteza de ± 0,12 °C ) superou a média pré-industrial, deixando para trás os recordes de 2016 e 2020.
A média em uma década, por sua vez, ficou em 1,20°C (com uma margem de incerteza de ± 0,12 °C ) acima da média de 1850-1900, segundo relatório emitido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Desastres naturais igualmente não faltaram, com mais de 1 milhão de hectares de florestas consumidos por incêndios em partes do mundo como Austrália, Grécia e Califórnia.
Ao mesmo tempo, cerca de 30% da superfície terrestre sofreu com secas severas, impactando a agricultura e o abastecimento de água.
Enquanto isso, a produção agrícola caiu até 20% em culturas como trigo e milho, inclusive pelo excesso de chuvas.
Tudo isso representa parte expressiva das perdas financeiras estimadas em 100 bilhões de dólares em 2023 por causa do aquecimento global e suas principais consequências.
