O enfraquecimento na agenda da sustentabilidade, trazido pelo segundo mandato presidencial de Donald Trump, já se reflete na atitude de corporações daquele país, que têm recuado em seus programas de perfil ESG.
Meta, Amazon, McDonald’s, Walmart e Boeing, por exemplo, estão entre as que encerraram ou diminuíram sensivelmente seus programas de diversidade e equidade.
Bancos de Wall Street como JP Morgan, Citigroup, Bank of America, Goldman Sachs e Wells Fargo, por sua vez, deixaram a Net-Zero Banking Alliance (NZBA), mega aliança climática do segmento financeiro
Já em escala global, espera-se que não esfrie na mesma proporção o ímpeto dos investidores em apostar nas empresas de capital aberto que continuarem valorizando o Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em português).
O Brasil destaca-se naturalmente nesse campo pela sua grande biodiversidade, em meio a um mercado de capitais desenvolvido, embora em menor escala do que o norte-americano.
Mas estamos igualmente aptos a realçar o ESG entre os atrativos para investidores globais, só que agora – diante das circunstâncias – tendo nos Estados Unidos um concorrente direto bem mais fraco.
Com o sentimento anti-ESG ganhando força naquele país, a expectativa é que os olhos do restante do mundo enxerguem melhor as possibilidades existentes nas empresas brasileiras nesta seara.
Some-se a isso o fato de, já há alguns anos, muitas delas virem se preparando para agir cada vez mais sob a égide de valores nobres e consistentes, ambiental, social e eticamente.
Outro cacife brasileito considerável é o mercado de carbono já estar devidamente regulado por aqui, o que nos coloca à frente de boa parte dos demais países nesse quesito.
Mas para essa provável onda positiva do ESG realmente vingar por aqui, os mesmos especialistas defendem a importância de as empresas compreenderem o quanto o momento é especial.
E não apenas em virtude do retrocesso do ESG nos Estados Unidos, mas também pelo fato de nunca ter havido tanto investimento em tecnologia para a sustentabilidade em nosso país.
A propósito, tudo isso acontece numa época em que os EUA assumem, com todas as letras, sua intenção de fortalecer a indústria do petróleo.
A China, que já chegou a ter a realização de uma Olimpíada ameaçada pela poluição do carvão, sua histórica matriz energética, hoje sonha em se eletrificar.
Em compensação, nos visitando de surpresa, investidores desses mesmos dois países talvez se admirem frente à proporção por aqui tomada pelo ESG.
Antes mesmo de balanços e relatórios, poderão ver isso materializado em aspectos que incluem a utilização do sol e dos ventos, dentre outros recursos naturais renováveis, para aposentar gradativamente os combustíveis fósseis, nos quais os EUA tanto acredita
