Para ser mais exato, 142,7 mil pessoas perderam a vida no Brasil entre 1991 e 2018, em virtude do frio ou calor atípico provocado pelas mudanças climáticas, antes mesmo de o tema ser tão recorrente.
É o que mostra estudo publicado pela revista Environmental Epidemiology, com base nas ocorrências geradas naquele período por variações extremas de temperatura.
O frio – atualmente raro – provocou 113.528 mortes, enquanto o calor provocou 29.170 óbitos, de acordo com o estudo abrangendo o intervalo de 27 anos em 18 cidades, 12 delas capitais.
No campo das finanças, as perdas com baixas temperaturas chegaram a US$ 352,5 milhões anuais, enquanto as altas geraram um prejuízo de US$ 90,6 milhões.
Em caráter mundial, a última estatística a respeito foi divulgada pela Germanwatch. De acordo com ONG alemã, nas últimas três décadas quase 800 mil pessoas perderam suas vidas devido a eventos climáticos extremos, com consequências econômicas de US$ 4,2 trilhões.
Sintomas
A mecânica biológica que pode evoluir para a morte em alguns casos, sobretudo ao longo de dias seguidos de calor escaldantes como os atuais em vários pontos do país, geralmente é a mesma.
Nosso organismo funciona, basicamente, a 36,5ºC e quando exposto a temperaturas muito acima disso sofre dilatação dos vasos sanguíneos, queda da pressão arterial e sobrecarga cardíaca.
Um quadro dessa ordem tem tudo para provocar desde exaustão térmica até a morte, principalmente no público formado por trabalhadores braçais, idosos e crianças nos primeiros anos de vida.
O perigo para essas duas faixas etárias diametralmente opostas, de acordo com os estudiosos da saúde, tem causas também distintas.
Enquanto as crianças ainda estão em desenvolvimento, os mais velhos possuem menor capacidade de resposta do hipotálamo, região do cérebro que regula a temperatura corporal.
O frio extremo, por sua vez, provoca reações em sentido contrário: contração dos vasos sanguíneos e o aumento da pressão arterial, mas também sobrecarrega o coração.
O que fazer?
Quem estuda a relação entre temperaturas extremas e saúde humana costuma apontar no ambiente onde as pessoas vivem um dos componentes preventivos mais expressivos da área.
No Brasil, por exemplo, a grita geral é a falta de infraestrutura adequada para se viver bem quando os termômetros sobem ou descem muito além do normal.
Prova disso reside no fato de a maioria dos edifícios locais não ter sido projetada para abrigar com segurança seus moradores e ocupantes frente a tais circunstâncias.
Essa realidade faz da habitação outro campo a ser trabalhado, pois ainda hoje são raras as unidades projetadas para suportar e manter confortáveis seus ocupantes, diante de grandes variações de temperatura.
Na capital paulista, por exemplo, a maioria dos prédios foi erguida pensando na “Terra da Garoa”, hoje existente apenas na memória dos moradores mais antigos.
Hoje, diante das ondas de calor, essas edificações tornam-se verdadeiras câmaras de tortura, caso não tenham uma boa climatização para atenuar os efeitos, hoje negativos, de sua vocação original.
Tudo isso soa mais grave quando nos lembramos da frequência cada vez maior desses fenômenos em todo o mundo.
Só resta esperar que tenhamos números bem mais positivos ao contabilizar os próximos trinta anos, agora com a humanidade tentando recuperar tanto estrago já causado no planeta.
