A meta de 1,5ºC de aquecimento médio da Terra até 2035, em comparação aos níveis registrados antes da industrialização, foi atingida em 2024, sério candidato a ano mais quente de todos os tempos.
Enquanto se aguarda a confirmação científica de mais este recorde, sabe-se que o limite estabelecido pelo acordo de Paris, em 2015, foi alcançado no ano recém-encerrado, deixando em polvorosa a comunidade científica mundial.
É que o nível de calor constatado corresponde ao teto contra as consequências mais graves do aquecimento global, caso do desaparecimento de países insulares e aumento em número e intensidade dos extremos climáticos ao redor do planeta.
Contudo, a maioria dos estudiosos ressalva não significar o rompimento definitivo de uma barreira cuja transposição esperava-se para daqui a uma década.
Na União Europeia, por exemplo, o respeitado Observatório Copernicus afirma que tal consumação depende de vários anos seguidos com um comportamento igual ou acima do patamar estabelecido em 2024.
Há, porém, quem defenda desde já o aumento do limite para 2ºC, considerando ser praticamente impossível a manutenção de 1,5ºC como meta em 2035.
Não se trata de pessimismo, de acordo com os partidários dessa tese, mas sim o fato concreto de estar avançando muito devagar a redução no uso de combustíveis fósseis, principais responsáveis pelo aquecimento global.
Prova disso é que os dados mais recentes, relativos a 2023, mostram um novo recorde de emissões do gênero, ou seja, 57,1 gigatoneladas de CO2 equivalente.
Isso representa um aumento de 1,3% em relação a 2022 e um crescimento acima da média na década anterior à pandemia de Covid-19 (2010-2019), que foi de 0,8%.
Fatos assim indicam ainda que a COP30, em Belém do Pará no próximo mês de novembro, possivelmente terá de aumentar seus holofotes sobre a mitigação de emissões de gases de efeito estufa, uma agenda que, por enquanto, encontra-se não tão em evidência na programação da grande conferência internacional.
