Teve grande repercussão nesta virada de ano um novo estudo da NASA confirmando trabalhos anteriores, realizados com imagens de vários satélites, sobre o encolhimento das nuvens que refletem a luz solar, o que ajuda a entrar mais calor no planeta.
Para aumentar a exatidão da pesquisa, o novo estudo utilizou apenas imagens do Terra, satélite da Agência Espacial dos EUA que monitora o planeta há 25 anos.
Ao analisar esse longo histórico, os cientistas perceberam que os mesmos sistemas de nuvens antes observados apresentaram uma redução de 1,5% por década em suas dimensões.
Também foram estudados 35 anos de imagens de diferentes satélites meteorológicos, abrangendo duas faixas de nuvens presentes na atmosfera.
O “cinturão” acima da Linha do Equador foi a primeira, pois cabe a ela converter os ventos alísios dos hemisférios Norte e Sul. A segunda foi a existente em latitudes médias, onde as correntes de jato originam grandes redemoinhos e tempestades.
Conclui-se dessas análises que as faixas de nuvens equatoriais se estreitaram, enquanto as trilhas de tempestades de latitude média deslocaram-se em direção aos polos, limitando a região em que podem se formar e diminuindo, assim, sua cobertura.
Porém, de acordo com o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, mesmo a cobertura de nuvens reflexivas tendo diminuído relativamente pouco, isso acabou agravando o aumento da temperatura na Terra, devido à força bem maior assumida pelas demais causas do problema.
Parece inegável, contudo, o surgimento de mais um elemento a ser considerado entre as causas do aquecimento global, até então atribuído a fatores como o crescimento exponencial das emissões de gases de efeito estufa e a diminuição de gelo reflexivo nos polos causada, esta última provocada, justamente, pelo aumento das temperaturas mundo afora.
80% das mudanças notadas foram causadas por encolhimento de nuvens e não porque elas estavam mais escuras e refletindo menos luz solar.
Agora, resta aos especialistas entender por que essas mudanças estão ocorrendo nas nuvens: se for em decorrência das alterações climáticas, isso traz uma nova preocupação à comunidade científica.
