Cada imóvel que se construa nesse período decisivo pode ter um papel dos mais importantes no urgente processo de descarbonização pelo qual passamos.
Mas isso requer providências a partir do projeto arquitetônico, tendo continuidade na interação do prédio com os usos e as instalações ali pretendidas.
Imóveis sem condições técnicas para receber ar-condicionado, por exemplo, sempre foram um gargalo, principalmente quando se fala em construções mais antigas.
Algo assim, convenhamos, torna-se bem mais perturbador hoje em dia, quando vemos a temperatura média mundial bater sucessivos recordes, como novamente ocorreu em janeiro último.
Felizmente, parte das construções hoje é entregue apta a receber esses equipamentos. Em certos casos, melhor ainda: já utilizando fluidos refrigerantes de baixo GWP, que não contribuem com o aquecimento global.
Mas a grandeza do desafio ambiental requer que uma habitação ou escritório seja sustentável em todos os sentidos, principalmente no decorrer de sua vida útil, que normalmente é prolongada.
Na mesma linha, embora ainda representem uma minoria, as edificações neutras em carbono são totalmente viáveis, conforme demonstra o L’îlot Fertile.
Aquele bairro planejado de Paris tem sido considerado um autêntico Show-room de como se deva planejar, construir e manter um imóvel neste momento crucial da humanidade .
Tudo ali foi projetado para minimizar o impacto ambiental e promover um estilo de vida ecologicamente correto, com zero emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).
Além da climatização dos imóveis, cada aspecto ligado às residências e ao seu entorno foi pensado.
Dentre eles, o uso de energias renováveis; eficiência energética; mobilidade sustentável; espaços verdes; gestão de resíduos; qualidade do ar e, sobretudo, engajamento dos moradores, para que aprendam a conviver em uma comunidade 100% sustentável.
A novidade foi comemorada mundo afora, sobretudo pelos mais preocupados com o fato de a construção civil responder por 37% do CO² liberado no ar, além de consumir 34% da energia produzida na Terra.
Arquitetos e engenheiros, por sua vez, hoje têm acesso a uma série de materiais, sistemas construtivos e matrizes energéticas alternativas.
Erguida a partir de soluções industrializadas, essa nova geração de obras interage de forma bem mais eficaz com a climatização e demais utilidades dessas unidades.
A expectativa geral é que a expansão de tal tendência ajude a alimentar um círculo virtuoso, combinando facilities e sustentabilidade, sendo um alento, portanto, em meio aos inúmeros desafios pela frente que todos nós temos para manter a terra habitável.
