A sucessão de enchentes, secas e ondas de calor Brasil afora em 2024 está sendo apontada por economistas como o principal fator para que a inflação tenha fechado o ano em 4,83%.
Acima dos 4,62% de 2023 e também da meta do governo para 2024 (4,5%), este índice teve nos alimentos o segundo maior responsável (7,69%), perdendo apenas para a gasolina, que aumentou 9,71%.
Já no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), o combustível teve peso de 0,48 ponto porcentual, enquanto os itens referentes a alimentos e bebidas chegaram a 1,63%.
Segundo técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que assinam esses números, o índice foi puxado pela influência dos extremos climáticos em diferentes períodos e regiões do país.
Um forte exemplo disso foram as enchentes no Rio Grande do Sul, que provocaram quebra expressiva da produção agropecuária local.
Somado às intempéries em outras localidades estratégicas para o setor, isto deve gerar crescimento negativo para a agricultura, conforme já reconhece o Ministério do setor.
Mas os preços já subiram, fato que especialistas consideram ter sido agravado pela falta de estoques reguladores, problema remanescente do governo anterior que o atual estaria demorando a reverter.
Essas reservas teriam como missão abastecer o país em períodos de escassez de determinados produtos, ou mesmo diante de elevações excessivas de preços. No caso do café, cujo pó subiu quase 40% no ano passado, os estoques oficiais estão praticamente zerados desde 2019.
Em contrapartida, as provisões de petróleo dos EUA e da China estão segurando os preços dos combustíveis naqueles países, enquanto por aqui eles já dispararam faz tempo, em grande parte tendo como motivo a alta internacional do dólar.
Por fim, além dos reflexos econômicos já trazidos pela crise ambiental, novos aumentos na taxa básica de juros, que fechou 2024 em 12,25% ao ano, têm fortes indícios de prosseguir.
As apostas atuais apontam para no mínimo 2 pontos porcentuais, a serem oficializados na próxima reunião do Copom, em mais uma tentativa do Banco Central de segurar a inflação.
