A exemplo da maior parte das anomalias climáticas contemporâneas, o fogo que vem consumindo florestas, casas e vidas humanas nos Estados Unidos muito tem a ver com o aquecimento global e suas consequências.
E não é de hoje que isso ocorre, pois estudo publicado pela Revista Science demonstra ser um processo iniciado há no mínimo duas décadas, cujo efeito sobre os incêndios, nos últimos 5 anos, é uma propagação até 4 vezes mais rápida.
Os ventos de Santa Ana, como ali são conhecidos, chegaram a 160 km/h na semana mais crítica dos incêndios atuais, uma marca inimaginável 10 anos atrás.
Em conjunto com o clima local seco e as muitas folhas caídas das árvores, a formação de tantas chamas seria inevitável, o mesmo se aplicando aos fortes ventos, que tratam de espalhá-lo velozmente, ao longo de florestas e cidades, erguidas em suas encostas.
Segundo dados do Departamento Florestal e de Proteção Contra Incêndios da Califórnia, a área queimada nos últimos dez anos é 1,6 vez maior que a média registrada a cada década, a partir de 1979.
Enquanto isso, cientistas das universidades de Colorado e da Califórnia aumentaram a abrangência de pesquisa sobre o tema e constataram que, em todo o Oeste dos EUA, os incêndios hoje se espalham 50% mais rápido, na comparação com os de 2001.
Todo esse quadro, conforme apontam os estudos, assim como o próprio senso-comum, corresponde às expectativas em torno das mudanças climáticas, pois o aumento dos ventos, das secas e temperaturas muito tem a ver com os incêndios na Califórnia
O fator humano, porém, não pode ser descartado, pois – de uma forma ou de outra – colaboramos há anos com os fatores responsáveis pelo aquecimento global, da mesma forma que ocupantes de áreas sujeitas às chamas negligenciam com as suas próprias vidas.
Portanto, não por acaso, 84% dos incêndios – intencionais ou não – são provocados por pessoas, conforme estima a Administração de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa, na sigla em inglês).
