O distanciamento desta vez não foi por razões políticas, como em 2017, no primeiro governo Trump, mas sim por ter reduzido em apenas 0,2% a emissão de gases de efeito estufa no ano passado, 16 vezes abaixo da meta alcançada no exercício anterior.
Com esse resultado, considerado decepcionante pelos ambientalistas, em se tratando do segundo maior poluidor do mundo, fará os Estados Unidos – agora novamente com Trump no poder – apressar o passo para acertá-lo com o tratado internacional, firmado em 2015.
É que, se ainda pretender cumprir o compromisso de retomar as emissões de GEE no patamar de 2005, o país terá de conseguir uma redução anual de 7,6%, nível que em nada se assemelha ao desempenho pífio de 2024.
E isso não é tudo, pois representa a ante sala de uma meta mais ambiciosa ainda: chegar à neutralidade de carbono até 2.050, algo que estudiosos vinculam a quase um milagre, e nada agradável, pois dependeria de excepcionalidades da economia trazidos por cataclismas e pandemias.
Em outras palavras, com a maior economia global funcionando, mesmo que não a todo vapor, dificilmente cairia o suficiente a quantidade de gases como o dióxido de carbono jogado todos os dias na atmosfera.
A teoria dos pesquisadores torna-se mais compreensível quando lembramos que o tímido declínio nas emissões estadunidenses no ano passado têm relação com a diminuição da atividade industrial causada por greves e desastres naturais como o furação Helene.
Há 10 ou 15 anos, estudiosos do assunto afirmam que fenômenos assim reduziriam bem mais as emissões de gases de efeito estufa.
Mas hoje ocorre aumento proporcionalmente maior provocado pela demanda crescente por transporte e eletricidade, por exemplo, com o uso intensivo de ar-condicionado na busca por superação das ondas de calor, cada vez mais rotineiras.
Contudo, isso tudo não significa a ausência de pontos positivos no relatório que trouxe à tona preocupações como estas, em relação ao cumprimento dos EUA ao Acordo de Paris.
Pela primeira vez, por exemplo, a produção local de energia solar, combinada à eólica, ultrapassou a de carvão.
Além disso, ainda pode ser revista a redução de apenas 0,2% nas emissões de GEE em 2024, pois todos os dados divulgados se baseiam em projeções.
No caso de 2023, para que se tenha uma ideia, a queda que terminou chegando a 3,3%, preliminarmente não passava de 1,9%.
