A geração de frio, seja em refrigeradores domésticos, aparelhos de ar-condicionado ou expositores do varejo, está passando por um estudo que pode revolucioná-la.
O uso de fluidos refrigerantes, elementos essenciais nestes equipamentos, no passado destruiu parte da Camada de Ozônio e hoje contribui, em diferentes graus, no aumento do aquecimento global.
Esse quadro está levando especialistas a estudar uma alternativa inédita, que consiste na substituição dessas substâncias por cristais plásticos para fazer a troca de calor.
A estrutura molecular dessa nova opção se transforma, quando submetida a alta pressão, exatamente como fazem os Hidroclorofluorcarbonos (HCFs) e Hidrofluorcarbonos (HFCs), hoje em fase de substituição global, de acordo com tratados internacionais vinculados à ONU.
Mas não gera gases de efeito estufa, como ocorre com os produtos hoje utilizados pelo HVAC-R, sigla que exprime setores como os de refrigeração e ar-condicionado.
Funciona assim
Essa diferença fundamental, segundo os pesquisadores da Universidade Deakin, na Austrália, deve-se à mudança da estrutura molecular dos cristais plásticos, de um estado desordenado para o de uma grade estruturada.
Essa alteração provoca a absorção de calor, à medida que a pressão é liberada, gerando assim o resfriamento de produtos e ambientes de forma ambientalmente amigável.
Materiais usados anteriormente com a mesma finalidade, de acordo com os mesmos pesquisadores, exigiam altas temperaturas ambientes para realizar transições semelhantes.
Os cristais, porém, operam de forma eficaz entre 37 graus Celsius e 10 graus Celsius, como convém a uma parte significativa dos equipamentos de frio existentes no mercado.
Senões
Há, contudo, algumas barreiras significativas a enfrentar até que essa nova solução, eventualmente, faça parte de nossas vidas.
Dentre os desafios apontados pela comunidade científica está o atingimento da pressão necessária para os cristais plásticos funcionarem em sua missão.
Para dar uma ideia disso, chegam a compará-la à pressão existente a milhares de metros de profundidade.
Mas isso não tira o ânimo dos autores do estudo, que acreditam resolver a questão ao longo dos trabalhos.
Outro senão apontado envolve o comportamento do material a longo prazo, justamente em virtude das pressões altíssimas a que deverá ser submetido.
Com todos esses prós e contras em jogo, certo mesmo há apenas o reconhecimento generalizado de que, uma vez transformado em realidade, o projeto australiano tem tudo para mudar radicalmente a história da refrigeração. E por uma causa das mais justas, convenhamos.
