Eles transportam pelos sete mares a matéria-prima básica dos combustíveis fósseis, e deverão sofrer de forma especial as consequências do próprio aquecimento global por eles provocado.
Pode-se resumir dessa forma o último relatório apresentado pela Iniciativa Internacional de Clima da Criosfera (ICCI) sobre o aumento do nível do mar impulsionado pelas mudanças climáticas.
De acordo com o estudo, os navios petroleiros logo terão grande dificuldade para atracar mundo afora, pois alguns dos maiores portos especializados em recebê-los deverão inundar.
O motivo desta previsão se baseia no fato de pelo menos 13 desses portos correrem o sério risco de ir, literalmente, por água abaixo mediante o aumento de mais um metro no nível do mar.
A lista inclui países como Arábia Saudita, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, China, Cingapura e – claro – Países Baixos, que a partir de 2070 estarão ameaçados, se as emissões de CO2 mantiverem o ritmo de crescimento atual.
O estudo tomou como base mapas de elevação do nível do mar do Climate Central e do Google Maps, assim como números atualizados sobre a exportação de petróleo fornecidos pela Bloomberg.
Em meio às sérias informações técnicas transmitidas ao igualmente sério jornal britânico The Guardian, os cientistas não resistiram à tentação de classificar como irônica toda essa realidade.
É que há muito se sabe que os petroleiros carregam em seu interior um dos principais causadores do mesmo aquecimento global que, em alguns anos, os deixará com bem menos opções para atracar mundo afora.
Dentre as consequências ambientais comprovadamente trazidas pelos combustíveis fósseis aos ecossistemas está o derretimento acelerado das geleiras, cuja água transborda automaticamente para os oceanos da Terra.
Nas últimas três décadas, essa expansão simplesmente dobrou e a velocidade disso tem tudo para aumentar, caso a transição para matrizes energéticas limpas não passar a evoluir bem mais rapidamente do que esta anomalia.
