Vista por muitos com desdém, e até mesmo razão de piada algum tempo atrás, a contribuição para o aquecimento global trazida pelos gases digestivos dos bovinos está vivendo um marco na Escócia.
É de lá que os mentores do projeto ecológico “Cool Cows” acabam de anunciar o nascimento de Hilda, primeira vaca reproduzida em vitro com menos emissão de metano em sua digestão.
O acontecimento está sendo considerado de enorme importância por veterinários e cientistas, pois deve representar o início de uma nova geração de animais, e com a velocidade pedida pela questão ambiental.
É que o ciclo para a gestação da nova espécie geneticamente modificada é oito meses mais rápido em comparação ao método natural, permitindo assim a multiplicação acelerada de animais capazes de emitir menos metano para a atmosfera.
A fertilização in vitro permitiu que os óvulos da mãe de Hilda – como os veterinários a batizaram – fossem escolhidos, justamente por ela ter demonstrado essa menor produção desse gás, cujo potencial de aquecer a temperatura do planeta é enorme.
Com isso, o rebanho Langhill, a que ambas pertencem, deverá duplicar a taxa de ganho genético, ou seja, será significativamente agilizado todo o processo envolvendo seleção e reprodução de animais.
Segundo declarou à imprensa o professor Richard Dewhurst, do Scotland’s Rural College, um dos parceiros do projeto, o aumento global do consumo de produtos lácteos torna hoje crucial que isto ocorra de forma sustentável.
A próxima etapa do “Cool Cows”, na cidade escocesa de Dumfries, será o uso de uma nova avaliação genômica, em conjunto com os atuais índices de eficiência produtiva e ambiental, para selecionar fêmeas jovens com baixo impacto de metano destinadas à reprodução.
