Tão gigantesca quanto essa porção de terra encravada na América do Norte é o ritmo com que o gelo tem derretido por lá, razão de ser de uma parceria inédita recém-firmada entre as agências espaciais dos EUA e da Europa – NASA e ESA, respectivamente.
Maior ilha do mundo, integrante do Reino da Dinamarca, a Groenlândia ocupa 2,16 milhões de km², nas proximidades da costa leste do Canadá, e há mais de uma década vem preocupando o mundo, com a velocidade de derretimento de suas geleiras.
As consequências disso vão além do aumento do nível do mar, afetando também a circulação oceânica global, o que altera os padrões climáticos e afeta a vida tanto dos ecossistemas quanto de comunidades ao seu redor, em várias partes do planeta.
A camada de gelo da Groenlândia se estende por cerca 1,7 milhões de quilômetros quadrados, o que faz da ilha uma das maiores reservas de água doce congelada do planeta.
Contudo, estudos demonstram um cenário alarmante construído entre 2010 e 2023, quando a camada de gelo da ilha teve um afinamento médio de 1,2 metro.
Na chamada zona de ablação, o fenômeno teve dimensões cinco vezes maiores, atingindo a média de 6,4 metros. E mais ainda nas geleiras de saída, onde o afinamento chegou a até 75 metros, de acordo com os cientistas.
Enfim, a redução total da camada de gelo já ultrapassa os 2,3 mil quilômetros, processo visivelmente acelerado entre 2012 e 2019, em virtude dos verões com temperaturas acima da média histórica, uma realidade que tem persistido.
Com a parceria histórica entre as agências espaciais estadunidense e europeia, espera-se uma precisão nunca antes obtida na progressão desses números, o que deverá permitir ações corretivas igualmente mais rápidas.
Isso se deve, por exemplo, à combinação dos dados das missões CryoSat-2 e ICESat-2 para obter estimativas tão mais rápidas quanto exatas sobre o volume e a massa da camada de gelo em toda a ilha, uma peça considerada altamente estratégica no quebra-cabeça do aquecimento global.
A importância deste trabalho, segundo especialistas, vai além do registro das alterações, pois significa a melhor compreensão das diferentes causas e efeitos dessas mudanças para prever suas implicações ambientais e também socioeconômicas.
